ENTENDENDO O VERME DO CORAÇÃO! – SirDog

ENTENDENDO O VERME DO CORAÇÃO!

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Algumas das dúvidas mais recorrentes que verifico aqui no consultório são:

  • “Quando vou para a praia, o meu cão não sai de casa, então não pega o verme do coração”?
  • “Antes de ir à praia eu preciso usar algum produto para que meu cão não pegue o verme do coração”?

Os maiores problemas em relação à dirofilariose são a falta de informação e pior, as informações erradas!
Aqui no blog vou esclarecer alguns pontos importantes, mas antes disso, é preciso saber algumas coisas sobre essa parasitose:

Em primeiro lugar, é preciso dizer o que muitas vezes parece chato: quem é o agente, de onde vem, como vive, essas coisas. Isso é importante para entendermos um pouquinho sobre como proteger melhor nossos cães, então vamos lá, prometo que vai ser rápido:

A dirofilariose é provocada por um parasita chamado Dirofilaria immitis, que é microscópica quando entra na pele do cão. Isso acontece após a picada de alguns tipos de insetos (mais de 70 espécies possíveis), que alimentam-se de sangue e estão infectados por terem picado outro animal doente. Esses “microvermes”, conhecidos como microfilárias migram e mudam de estágios dentro do inseto e depois de 2 semanas estão prontas para infectar outros hospedeiros. Assim que entram no novo hospedeiro, pela picada, continuam sua migração e por volta de 100 dias após a entrada pela pele, atingem o coração, os grandes vasos cardíacos e o tecido pulmonar. Nessa fase o parasita atinge a maturidade (com cerca de 15 a 30 cm de comprimento), começa sua reprodução e surgirão novas microfilárias, que ficarão circulantes até um mosquito alimentar-se de sangue e recebê-las, para que tudo recomece… Assim que instala-se no coração, o espaço começa a ser ocupado pelos parasitas, dificultando a circulação sanguínea e forçando o coração a aumentar o tamanho das câmaras cardíacas para a circulação do sangue. Com o tempo, o coração fica aumentado, fraco e insuficiente, fazendo com que o cão apresente tosse seca, fique intolerante ao exercício, fraco, cansado, e muitas vezes com a língua azulada, chegando em casos mais severos a ter desmaios, mas veja bem, isso tudo só vai começar a ser notado anos depois de o cão ter ficado doente!

Viu? Não foi tão difícil passar por essas explicações mais chatas, não é?
Agora que você entendeu como tudo funciona fica mais fácil explicar como combater esse problema: o que funciona melhor é acabarmos com esses vermes enquanto ainda são microfilárias! Até porque, é impossível garantir que o animal não vá receber nenhuma picada de inseto. Nem nós humanos estamos imunes a isso mesmo utilizando repelentes e afins!

Sendo assim, devemos dar aos cães uma dose de um vermífugo (sim, vermífugo, afinal é um verme!) mensalmente, sempre que o cão visitar regiões potencialmente endêmicas da dirofilariose, como litoral e áreas de lagos, represas ou de mata fechada, onde a concentração de mosquitos hematófagos é maior. Mas é importante deixar claro que não são todos os vermífugos que funcionam para a dirofilariose, eles devem conter em sua fórmula um princípio ativo que tenha ação contra a dirofilariose. Agora, pense comigo: o produto deve ser dado após a viagem, afinal o produto administrado será metabolizado e eliminado no mesmo dia, não tendo ação longa e não oferecendo proteção dias depois da administração! Muitos animais têm visitado o litoral por anos a fio e sendo medicados antes da viagem, com seus donos acreditando que estão fazendo a proteção da maneira correta.

Uma outra e mais nova opção é a aplicação de um produto que tem liberação muito lenta e mantém uma dose muito pequena circulante do princípio ativo, mas o suficiente para paralisar e matar as microfilárias, eliminando-as assim que entram e evitando a perpetuação do parasita. Essa opção é vantajosa para evitar esquecimentos e a constante proteção contra a doença, pois a aplicação libera o produto por um ano.

Para finalizar, é importante saber que para animais que já frequentaram áreas com possibilidade de transmissão da dirofilariose é necessário um exame de detecção da doença antes de começar a prevenir, pois o animal pode estar doente e ser assintomático, necessitando, nesse caso de atenção diferenciada na prevenção e tratamento adequado.

Quer saber ainda mais? Então tá aqui:

  • Dirofilariose é uma parasitose, transmitida por insetos com prevalência mundial, mas principalmente em regiões de clima favorável aos insetos transmissores (litorais de clima quente);
  • Acomete cães domésticos e silvestres (principais reservatórios do parasita), mas outros mamíferos e raramente o homem, podem também ser infectados, sendo, desta forma, uma zoonose. Na verdade nesses casos normalmente são achados de necrópsia porque o parasita morre por não estar em seu hospedeiro ideal, mas nesta situação podem ser confundidos com tumores pulmonares, pois o parasita morto costuma ficar no tecido pulmonar, em forma de nódulo);
  • Ocasionalmente, os vermes adultos já foram encontrados em locais não usuais nos cães como cérebro, espaço epidural, artéria femoral, abscessos no membro pélvico e globo ocular, causando sinais relacionados ao local onde foram encontrados;
  • No Brasil existem dados estatísticos variados, mas recentemente verificou-se que o estado do RJ é o com maior incidência da doença, com algumas cidades atingindo até 60% de cães acometidos. Em SP encontram-se citações de 8,8% de incidência no estado como um todo, mas algumas cidades chegam a 45% de cães acometidos;
  • O exame de detecção da doença antes de começar a prevenir é rápido e fácil, com resultado em menos de 10 minutos
  • Se não identificada e tratada, a dirofilariose leva o animal a óbito devido à complicações cardíacas;
  • Há trabalhos que mostram que existem mais animais idosos com dirofilariose do que jovens, provavelmente pelo tempo maior de exposição aos insetos e, com isso, maior chance de contaminação.

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